o que é empatia

O que é empatia? Entenda como praticá-la no seu dia a dia

Empatia é a habilidade emocional de percepção e compreensão do modo de enxergar o mundo de outra pessoa. É uma maneira de sair das próprias fronteiras e expandir sua forma de sentir. Abrir mão da necessidade de julgar as emoções alheias e gerar conexão profunda e verdadeira.

Diversos observadores ao longo da história se esforçaram para provar que somos egoístas e individualistas. Apesar disso, a ciência parece já ter ultrapassado essa forma de pensar. Comprovou-se que seres humanos são naturalmente empáticos. Liberam muito mais substâncias prazerosas no cérebro quando em situação de colaboração.

A empatia fortalece conexões, incentiva a colaboração e melhora resultados. Ela é o remédio para o egoísmo tóxico que tanto dificulta e atrapalha os vínculos. Entender o que é empatia não é tarefa fácil, mas investir no exercício de olhar o mundo com os olhos de outra pessoa é essencial.

Nessa lógica, a conduta predatória e egoísta, por mais que seja nossa tendência, inegavelmente traz resultados emocionais desastrosos. Ou seja, a fisiologia humana é concebida para a empatia e a colaboração. Pessoas que não entendem essa ideia têm grande dificuldade de conectar-se de maneira sincera com quem convivem.

Se não fosse pela capacidade de ter empatia, jamais haveríamos sobrevivido como espécie. Os vínculos e conexões emocionais desenvolveram nosso cérebro, ampliaram as capacidades cognitivas e de adaptação. Aprendemos a conviver em comunidade, cooperando uns com os outros para poder resistir e superar adversidades. Sozinhos, fora de um grupo social, isso seria impossível. Você poderá entender um pouco mais aqui.

Empatia é prazer: o hormônio do bem estar

Lembre-se agora do seu melhor amigo. Aquela pessoa em quem você confia e que lhe entende como ninguém. Lembrou? Pois saiba que toda vez que vocês interagem, em uma relação de cumplicidade e reciprocidade, liberam ocitocina, também conhecida como o hormônio da felicidade. Ela é responsável, dentre outras coisas, por estimular a produção de leite da mulher após o parto e, vejam só, auxiliar em parte você a ter orgasmos. Veja mais nessa notícia do G1.

Quando você tem alguém em quem sabe que pode confiar, sua tendência é oferecer apoio a essa pessoa – e esperar receber apoio também. É exatamente nesse momento em que seu corpo libera substâncias, dentre elas a ocitocina, responsáveis pelo bem estar e felicidade. Encontrar apoio para seus sentimentos potencializa a sensação de prazer e, obviamente, sua qualidade de vida. A resposta para o que é empatia está cada vez mais próxima, não é?

O crítico severo que mora em nós

Pense agora na seguinte situação: você vem me contar uma situação difícil que esteja passando. Você fala tudo que sente, de maneira honesta e sincera. E após seu desabafo, eu simplesmente lhe digo que você está errado. Que não deveria sentir-se dessa forma. Que seu sentimento é inadequado.

Pense em como você irá se sentir mal. Triste. Você só queria desabafar, falar com alguém que pudesse lhe entender. E tudo o que fiz foi julgá-lo. Eu não soube acolher o que você estava sentindo. Apenas impus meu modo de ver as coisas e minha visão de mundo, em uma necessidade egoísta de mostrar que eu faria melhor que você nessa situação.

É exatamente aí que moram as dificuldades nas conexões. Não fomos educados para olhar para nossas próprias emoções (ainda! isso está mudando). Por isso temos dificuldade em não julgar as emoções alheias. Para ter empatia com o outro é preciso aprender a empatizar primeiramente consigo mesmo. Ouvir e acolher os sentimentos e aquilo que passa no mais profundo de seu coração.

Empatia é um caminho a ser trilhado:
algo que pode ser difícil e dolorido

Empatia é saber escutar profundamente com o coração aquilo que grita do coração do outro. Aceitar, respeitar e acolher percepções e verdades diferentes amplia a gama de cenários e vivências e em seu processo de questionamento interno e tomada de consciência. Mas estar aberto a isso é um processo que exige coragem.

A dificuldade em empatizar geralmente vêm do medo de se expor, na defensividade que se cria a medida que vamos perdendo a confiança no mundo ao redor. O medo de nos mostrarmos vulneráveis e virmos a sofrer. Empatia vem de um lugar muito profundo dentro de nós onde tiramos a máscara de superioridade e oferecemos ao outro nossa escuta verdadeira.

Podemos chamar esse processo de construção da reciprocidade, onde nossa escuta empática é capaz de revelar a verdade que habita no outro e tocar a nossa própria humanidade. Mostrar-se vulnerável, sem medo de ser quem é, revelando inseguranças e medos, é algo digno dos fortes. Éaí que mora a conexão profunda e verdadeira que promove a liberação da ocitocina, de que falamos lá no início.

Por isso eu lhe garanto: investir em entender esse processo e aprender a ser mais empático influencia na nossa saúde como um todo e até no nosso tempo de vida. A ciência já comprovou que os telômeros – pequenas tampas dos cromossomos que revelam a idade de nossas células – costumam ser mais curtos quando não construímos amizades sinceras e profundas

E a empatia está diretamente ligada a ambientes de confiança: ter pessoas nas quais você confie e que possam confiar em você. Ambientes em que você se sinta seguro trazem a tona o melhor de você. Pontos de apoio emocional, gente que entenda e respeite suas necessidades emocionais, sem tentar forçá-lo a ser alguém que não é.

Mas como fazer isso?

Olhar com cuidado para as próprias emoções é o caminho para aprender a cuidar e se importar com as emoções dos outros. Investigar sentimentos, saber o que nos faz bem e o que não nos faz para que possamos comunicar isto com clareza.

Mas o que ocorre é que muitas vezes não sabemos muito bem o que sentimos. Não paramos para ouvir nossas emoções. Não aprendemos a nomeá-las.

Aí nos sentimos inadequados por termos medo, raiva, inveja. Emoções comuns a todos. E é justamente esse medo do julgamento que bloqueia a conexão verdadeira. Essa desconexão com a gente mesmo faz com que criemos máscaras de aceitação.

Gente iludida

Ou você não conhece ninguém iludido, baseando sua felicidade somente naquilo que tem, em seu status ou posição hierárquica? O Roman Krznaric, em seu livro O Poder da Empatia, revelou uma pesquisa da Universidade da Califórnia que mostrou que, quanto mais rico você é, menos empático tende a ser.

Isso porque, distante das próprias emoções e iludidos por dinheiro ou poder, podemos errar feio achando que somos melhores que os outros por isso. E justamente aí que está a raiz da nossa desconexão. Acharmos superiores, melhores que os outros de alguma forma nos torna bloqueados para a conexão com o coração. Seja em casa, no trabalho ou em qualquer meio social.

E perceba que por trás deste muro de desconexão está o medo da inadequação. Porque calçar as botas de outra pessoa e exercitar olhar o mundo através de seus olhos desperta nossa humanidade, nossos valores mais positivos. Estimular a compaixão eleva os níveis de bem estar. Acreditar nessa rede invisível que nos une é a maior garantia para a felicidade. E quem não vai atrás disso, inconscientemente, está se boicotando, fugindo da verdadeira felicidade.

Medo chama medo

Quando alguém não entra em sintonia consigo mesmo, precisa atuar em um grupo de forma a atender às próprias necessidades não resolvidas. Pessoas egóicas são inseguras, possuem muito medo de não serem boas o bastante. E bloqueiam o fluxo da empatia. Seu próprio medo e defensividade desperta medo e insegurança em todos que convivem com ele.

E é esse medo que faz alguns líderes subirem em pedestais para mostrarem-se superiores. Isso cria o que costumo chamar de ambientes de insalubridade emocional. Perceba que quem tem construiu uma auto empatia saudável consigo consegue reconhecer o potencial do outro, e não precisa se autoafirmar para ser forte.

O que é empatia no ambiente de trabalho?

o que é empatia

Quando você interage em um ambiente de trabalho, o que basicamente irá lhe trazer bem estar e segurança será a forma com que você irá se relacionar com seus colegas. Por isso, não dá para negar: a empatia é o ponto principal dessa equação. Se você é um líder e trabalha para que sua equipe tenha engajamento e motivação, irá precisar ter empatia genuína para gerar o comprometimento que espera.

Precisa saber ouvir com sinceridade os problemas de quem carrega o piano e está na linha de frente. Só assim quem trabalha com você irá sentir-se seguro e saber que tem com quem contar quando os problemas aparecerem. Saber dar feedbacks onde as competências positivas sejam ressaltadas e você saiba levantar a autoestima de seus liderados, ao invés de acabar com ela.

E se você não lidera uma equipe também irá precisar da empatia para desenvolver um bom relacionamento com seus colegas. Saber gerir bem as próprias emoções, reconhecendo-as para assim terem empatia consigo mesmos. Só assim temos a capacidade de respeitar emoções e sermos empáticos, inclusive no ambiente de trabalho. Você sabe bem do que estou falando. Já deve ter trabalhado com alguém que não tinha empatia. E sabe bem o quanto deve ter sofrido por isso.

Quem não se conecta, sofre: aprenda a se escutar

A ansiedade de esconder sua vulnerabilidade e criar uma máscara de perfeição lhe afasta da espontaneidade e da verdadeira conexão. É uma angústia precisar demonstrar superioridade quando não se tem certeza disso no seu íntimo. E não dá para criar conexões bacanas assim. Nem ter uma vida saudável.

Para saber empatizar é preciso primeiro saber ouvir o que sente. Como você irá conectar-se com alguém e respeitar seus sentimentos se não parar para escutar o que fala o mais profundo da sua alma? Se sente-se inadequado e confuso em suas emoções? Lembre-se das pessoas arrogantes que conheceu até hoje. Tenha certeza que no fundo, era assim que se sentiam.

Preparei algumas dicas para você exercitar a empatia no dia. Lembre-se que é um processo de aprendizado e que todos os dias podemos colocar em prática um pouquinho…

– Ensine e seja exemplo

Quer ter uma velhice feliz e saudável com seus filhos? Então os ensine a olhar e respeitar as próprias emoções e a ter empatia consigo mesmo e com o outro. Mostre a eles que não são o centro do mundo, mas que também merecem ser respeitados por aquilo que sentem. Ensine-os a se colocar no lugar das pessoas, a ter compaixão. Ensine o que é empatia. Um dia você irá colher frutos muito positivos.

– Pratique a colaboração

Empatia alavanca a colaboração mútua em qualquer organização. Unir pessoas em um objetivo comum que seja desafiador a todos, estimulando e construindo ambientes de confiança e proporcionando que cada um contribua com seus melhores dons traz resultados inimagináveis quando se trata de produtividade, criatividade e inovação.

– Tenha responsabilidade pelo que sente

Empatia fortalece conexões, pois melhora a qualidade da comunicação que temos conosco e com as pessoas ao redor. E ela está diretamente ligada ao modo como tratamos a nós mesmos. Auto Responsabilizar-se pelas próprias emoções, cuidando de suas necessidades emocionais para que sejam atendidas e construir um diálogo interno positivo é o primeiro passo.

– Demonstre interesse sincero

Demonstrar interesse significa que você está se esforçando para colocar-se no lugar do outro, tentando entender como ele se sente, sem julgamentos ou rótulos. Este interesse genuíno e sincero amplia a confiança e fortalece os laços e a conexão verdadeira.

– Evite julgar (os outros e a si mesmo)

É uma tendência humana emitir julgamentos o tempo todo, mesmo que muitas vezes não tenhamos subsídios suficientes para saber realmente o que está acontecendo. Recheamos nossos julgamentos com nossas verdades internas, que muitas vezes não são condizentes com o que de fato acontece. Permita-se questionar essas verdades de vez quando. Por exemplo, será mesmo que a aquela vizinha que não mal lhe dá bom dia é uma mal educada? Será que não está passando por uma situação difícil? Ou será mesmo que você não sabe fazer nada direito? E todas as vezes que entregou trabalhos de qualidade e foi reconhecido por isso? Permita-se questionar ao invés de julgar.

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