O que é Inteligência Emocional?

São seis da tarde de segunda feira. O calor está insuportável e você está absurdamente atrasado para buscar as crianças na escola. O trânsito caótico por conta de um acidente já está lhe causando muita irritação e como se não bastasse o ar condicionado do carro pifou semana passada e não deu tempo ainda de mandar ao conserto. Você abre as janelas e o que entra é um ar quente e poluído. O celular toca. Você atende mesmo com o carro parado no congestionamento e quando percebe, o guarda de trânsito lhe faz um sinal. Deu para perceber que será multado.

Eu sei, não é nada fácil controlar-se em uma situação assim. A probabilidade de você ser intolerante ao pegar seus filhos e eles fazerem a mínima travessura é grande. Você está no auge de sua irritação. Provavelmente quem irá sofrer as consequências será quem não tem muito a ver com o pato.

Aí você vai me dizer: uma pessoa com inteligência emocional jamais ficaria irritado em uma situação dessas.

E eu lhe direi: Não!

Inteligência emocional: não é regra pensarmos nela

Inteligência emocional não é reprimir emoções. Todas elas são necessárias, inclusive as negativas, como a raiva e a frustração.  Uma pessoa que não é atenta a suas emoções tem uma certa tendência em agir de maneira reativa em casos desse tipo. Mas isso não significa que alguém que pratique a inteligência emocional não tenha esse tipo de emoção. Aqui você pode acessar um teste bem bacana que irá mensurar o seu grau de Inteligência Emocional: teste aqui.

Emoção é uma palavra que vem do latim e sua definição etmológica seria algo como “mover para fora”.  As emoções são as traduções das sensações físicas e emocionais aos estímulos pelo que passamos. São elas que nos movem a ação, ou seja, agimos de acordo com elas.

Só por essa definição já dá pra perceber o quanto as emoções são importantes e influenciam nossa vida. Não dá mais para medir a inteligência de uma pessoa apenas por seu raciocínio lógico ou capacidades técnicas. O mundo atual, de mudanças cada vez mais rápidas e questões complexas, exige de nós a capacidade relacional.  Pessoas com autocrítica, capacidade de se adaptar a diferentes contextos, criatividade, bom humor, iniciativa se destacam e têm chances grandes de terem melhores resultados em todas as áreas. Conheça aqui a história da Inteligência Emocional ao longo dos anos.

Ambientes que exigem o uso da inteligência emocional

Agora pense comigo em sua carreira e nos locais em que atuou profissionalmente. Você já deve ter encontrado espaços onde os jogos de poder e a necessidade de controle e auto afirmação atrapalhavam tudo. Criavam o que eu costumo chamar de ambientes insalubres emocionalmente. Lembre-se o quão angustiante era conviver neste clima.

Uma boa Inteligência Emocional facilita o andamento em qualquer ambiente de trabalho. Mas quem não pensa nisso, causa vários problemas. Colegas ou líderes mau preparados, que agem na equipe para atender somente seus interesses. Alguns tem a necessidade de diminuir pessoas para se sentirem fortes.  Ou precisam se autoafirmar de alguma forma e tornam a convivência pesada.

Liderança exige Inteligência Emocional

Líderes sem consciência de suas emoções terão dificuldades para construir resultados sustentáveis a longo prazo. De alguma forma vão tirar a motivação e o entusiasmo com seu egoísmo. A base para o engajamento está em provocar a autoestima de quem se lidera, se dispondo a desenvolver pessoas em suas melhores habilidades. Mas como um gestor com baixa inteligência emocional fará isso?

Quando não se tem um líder que que incentive um bom clima organizacional, as equipes costumam operar como se estivessem em uma selva, buscando sobreviver. Não dá para focar em bons resultados quando se trabalha na falta de confiança e transparência. O medo faz a equipe perder tempo com fofocas, puxões de tapete, disputas e intrigas. E esse clima sempre irá impactar negativamente de alguma forma. Seja na alta rotatividade, na baixa motivação dos funcionários ou na falta de qualidade do produto final.

Pessoas funcionam muito melhor quando sentem-se valorizadas em um bom clima de trabalho e relações saudáveis. A Inteligência Emocional para isso é fundamental. Quando falamos em desenvolvimento de pessoas, isso significa líderes dispostos e preparados para desenvolverem outros líderes, superando suas inseguranças. É preciso trabalhar pelo bem comum e a falta de Inteligência emocional dificulta e emperra essa visão. Bons líderes sempre terão uma alta inteligência emocional, como explica Daniel Goleman nesta entrevista aqui.

Inteligência Emocional salva o mundo

Reconhecer e gerir as próprias emoções para poder  interagir mais facilmente com as emoções dos outros. Isso melhora muito a qualidade das relações. Identificar e aceitar as próprias emoções, não interessando se são positivas ou não. Não é errado ter raiva. O que não pode é sair distribuindo socos e grosserias por aí. Canalizar esta emoção de maneira positiva, indo para academia, por exemplo, é uma forma inteligente e produtiva de gestão emocional.

A gente cresceu ouvindo que era feio ter emoções negativas. “Não fica bem ter ciúmes”, “homem não chora”, “que feio ter raiva”. E assim foi se solidificando em nós o sentimento de inadequação. Fomos achando que éramos horríveis por termos emoções que são comuns a todos!

Aliás, se existe algo que nos une como humanidade, é a similaridade na forma de como sentimos emoções, em diferentes níveis. A Inteligência Emocional nos convida a reconhecer emoções, admiti-las e não fugir delas. Mas ao reconhecê-las, fazer que elas não se tornem destrutivas a nós e aos que estão conosco.

Outra característica bacana de quem percebe a própria Inteligência Emocional é autoestima e o sentimento de autovalor. O fato de acolher bem o que se sente ajuda a construir uma boa visão de si. Este diálogo interno positivo se reflete no jeito que me relaciono. Quando respeito e acolho minhas emoções, fica mais fácil tratar a todos com respeito, aceitação das diferenças e empatia.

Mas se a cobrança interna é grande, vai refletir negativamente em meu diálogo com o mundo . A relação humana reproduz a relação que temos conosco.

Devemos priorizar por bons relacionamentos com todos

Podemos voltar a pensar nas pessoas arrogantes e com necessidade de diminuir as outras para sentirem-se fortes. Na realidade, essa pessoas são frágeis e inseguras. E provavelmente tiveram suas emoções reprimidas. É impossível que alguém que tenha sido respeitado em suas emoções, aceito e amado exatamente como era tenha a necessidade de diminuir outra pessoa para sentir-se bem.

Quando se é humilhado, ferido e tratado com desprezo, terá a tendência a descontar essa raiva reprimida mais tarde. Principalmente se isso ocorreu em sua infância ou adolescência quando as experiências são ainda mais marcantes.  

O contrário também é verdadeiro. Submissão excessiva não é nada saudável. Culpa e falta de confiança são outras faces de um sistema de emoções que não é bem gerido. Quem não confia no seu valor nem nas próprias emoções geralmente constrói relacionamentos de dependência e vitimismo. Fica fácil perder o controle e dar o poder de sua vida para o outro comandar.

A ciência já provou que relacionamentos saudáveis são a base para uma qualidade de vida alta. Podemos ter o melhor cargo, a melhor casa, a melhor conta bancária, mas se nossos relacionamentos estiverem ruins nada fará sentido. Costumo dizer que investir na Inteligência Emocional é libertador. Estimula a tomar a responsabilidade pelo que se sente.

Vitimização não!

É muito cômodo culpar os outros por um comportamento que nos abala. Mas não é nada saudável.  A firmeza interna está em analisar os motivos pelo qual determinada postura ou atitude de outra pessoa nos incomoda. Senão estaremos sempre a mercê dos outros e, claro, de seus maus comportamentos. Ter equilíbrio emocional significa estar tão fortalecido que, quando outra pessoa faz algo que consideramos errado, aquilo não nos desestabilize.

Mas vem cá, isso é possível?

Sei bem que é um grande desafio. Mas qualquer pessoa que esteja disposta a olhar para si e aceitar suas dificuldades emocionais consegue desenvolver a inteligência emocional. Os pequenos perrengues do dia a dia nos testam a tolerância, paciência e resiliência todo o tempo.

Aqui vão 6 dicas para você exercitar a Inteligência Emocional no dia a dia:

1) Não tenha medo de olhar para si:

Pessoas emocionalmente inteligentes conseguem superar o medo de admitir emoções sejam elas negativas ou não. Não tem medo de admitir suas vulnerabilidades.  Lembre-se que não se muda o que não se aceita. Sem reconhecer que temos uma questão a ser melhorada, não há como modificá-la.

2) Pergunte-se quais são as suas necessidades emocionais:

Toda emoção esconde por trás dela uma necessidade emocional, que foi atendida ou não. A raiva, por exemplo, é a camada mais superficial de uma necessidade emocional não atendida, como o respeito ou a consideração. Quem não está atento as suas emoções não consegue perceber quais necessidades reais não estão sendo atendidas quando surge alguma emoção negativa. Seres humanos possuem basicamente as mesmas necessidades emocionais de respeito, aceitação, reconhecimento, etc. A questão é que muitas vezes vivemos no piloto automático das emoções e não paramos para refletir sobre essas necessidades. Reconhecê-las trará mais consciência do real motivo de suas emoções e lhe ajudará a comunicá-las de maneira mais assertiva. Pontuar exatamente o que não lhe faz bem é muito saudável. Dizer por exemplo: Eu me sinto humilhada quando você me chama de chata porque tenho uma profunda necessidade de respeito.

3) Assuma a responsabilidade pelo que lhe acontece.

Condenar o chefe, os pais, o marido ou até o papagaio pelo que sentimos é uma armadilha. Os outros podem agir da forma que quiserem, mas quem está no controle das emoções somos nós, não adianta negar nem fugir disso. Se algo lhe tirou do sério, admita sua responsabilidade no processo. E que você tem questões internas que precisam ser resolvidas e que olhar para isso com gentileza é a melhor forma de superá-las. Nós somos o resultado de nossas escolhas e ter isso claro lhe trará firmeza e o comando e controle de sua própria vida.

4) Busque a empatia em seus relacionamentos:

Reconhecer seus sentimentos e aceitá-los lhe ajudará a reconhecer e respeitar sentimentos nos outros. E também reconhecer suas necessidades emocionais. E esse é o primeiro grande passo para desenvolver relacionamentos saudáveis e verdadeiros.

5) Reconheça seus fracassos:

Eles são seus maiores mestres – Não existe erro, apenas aprendizado. Todos os seus fracassos moldaram a sua experiência e aprendizado até aqui. Reconhecer o conhecimento adquirido e resgatar a melhor lição de cada um deles é característica de pessoas com altas habilidades emocionais.

6) Por favor, pare já de se julgar:

Quando o julgamento de si é pesado, detonando um péssimo diálogo interno, a possibilidade de julgar e rotular os outros se torna grande. E isso influencia diretamente as boas relações. Se apoiar em rótulos cria um muro entre pessoas, gerando defesa, desconfiança e medo. Pare agora de se julgar e condenar. Respeite suas limitações e reconheça as suas qualidades que se destacam. É assumindo o que você tem de bom que irá ter energia e disposição para resolver aquilo que ainda precisa. Mas você precisa parar de se condenar e de comparar-se com outras pessoas para isso.

Veja aqui dicas de livros para você aprender mais sobre Inteligência Emocional.


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