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Colaboração: o que é e como promovê-la no ambiente de trabalho 

A colaboração estimula que as pessoas trabalhem a partir de suas melhores competências. Além disso, minimiza e inibe os problemas de comunicação, ampliando os laços. Isso aumenta a produtividade, o engajamento e a inovação, abrindo espaço para a criação de experiência e otimização dos recursos, sejam eles tangíveis e intangíveis.

Colaboração está na moda. Estamos vivendo um novo momento em que a economia do compartilhamento está revolucionando a forma como vivemos e organizamos nossos recursos. O avanço da tecnologia nos aproximou e fez tudo mudar de lógica. Construiu-se uma cultura de troca de ideias e informação que potencializou para sempre o jeito de nos comunicar. Que nos aproximou e facilitou interações e conexões através de ideias, valores e propósito.

Colaboração is the new black…

Por muitos anos as empresas estiveram em contextos onde a hierarquia era a regra. Obedecer ordens e não questionar era considerado normal. Só que na era da informação e da tecnologia o grau de consciência e informação ampliou-se e essa lógica já não funciona.

Compartilhar casas, carros, equipamentos, recursos. A premissa agora não é mais acumular e sim otimizar o uso através do ato de repartir o que antes era subutilizado. Essa nova dinâmica ensina pessoas e empresas a buscarem crescimento em conjunto. A troca e compartilhamento de conhecimento, melhores práticas e recursos são o lema desta nova época.

Mas a verdade é que você pode ter as melhores ferramentas e tecnologia. Mas se não construir uma cultura que favoreça a colaboração entre as pessoas, as ideias e informações dificilmente farão sentido. É preciso incentivar o processo de troca de forma a criar oportunidades a partir de diferentes pontos de vista. Dessa forma nasce a inovação e o aperfeiçoamento, fundamentais para que se possa resolver os problemas complexos que a sociedade enfrenta.

Se o cruzamento de ideias é fundamental para o nascimento de soluções, construir uma cultura onde a colaboração mútua seja o lema é a base para isso. O significado de colaboração é muito simples: ajuda e auxílio mútuos.

Colaborar é simples e ao mesmo tempo complexo

Mas ao mesmo tempo em que os conceitos são simples, empreender uma cultura onde as pessoas se disponham a colaborar umas com as outras sem ter medo de perder espaço ou não serem reconhecidas é complexo. Significa fazer com que cada um trabalhe a partir de suas melhores competências, seguros e confiantes para que não tenham medo de compartilhar.

Ou seja, é preciso estar preparado para esse novo tempo. Ensinar as pessoas a colaborarem umas com as outras e lapidaram a si próprias para assimilarem esse paradigma.

Paradigmas da colaboração

Paradigmas são verdades que aprendemos ao longo do caminho e que utilizamos para perceber a nós mesmos e ao mundo a nossa volta. Durante séculos o foco dos estudos sobre utilização de recursos foi baseado naqueles que eram tangíveis e finitos. O paradigma de que estes recursos não seriam suficientes para todos e que por isso, precisaríamos acumular e se sobressair sobre o outro para mostrarmos o nosso valor.

O paradigma de que iria faltar e não tinha pra todos e por isso precisávamos competir. A mentalidade da era Industrial, onde o que dava resultado era obedecer e não questionar, o respeito absoluto a hierarquia, o controle das ideias e informações. Isso tudo gera competição, muitas vezes tóxica.

Não ter a oportunidade de mostrar suas ideias, pensamentos e mesmo emoções reprime. A necessidade de competição vem do medo de não termos o suficiente ou não sermos bons o bastante. Aí colocamos uma barreira que obviamente nos separa e atrapalha a ideia de que colaborar é positivo. A maioria de nós cresceu com crenças carregadas de medo e falta, que impedem de ver a importância da conexão com o outro para podermos crescer todos.

Só que neste novo paradigma que a economia colaborativa está trazendo, o pensamento da escassez é ultrapassado pela crença na abundância de recursos intangíveis, que se multiplicam quando cruzados e compartilhados. Conhecimento, ideias, cuidado, experiências, acolhimento, gentileza, reciprocidade. Tudo isso se expande quando é dividido.

Precisamos aprender a colaborar

Quando eu recebo alguém como anfitriã do Airbnb em minha casa, eu acolho pessoas que nunca vi antes em minha casa com gentileza e carinho. Afinal eu preciso gerar uma boa avaliação que irá garantir que mais pessoas voltem a escolher meu imóvel. Esse gesto vai enriquecer a pessoa que for bem acolhida e me abrirá para as infinitas possibilidade de conexão. Conhecer pessoas de diferentes culturas e conhecimentos gera experiências enriquecedoras, que superam a simples necessidade de lucrar.

Mas agora eu lhe pergunto: Como fazer isso, se não soubermos colaborar? Como nos prepararmos para a cultura da colaboração se internamente não estivermos inseridos neste novo paradigma?

Tcharam! Chegamos novamente aos paradigmas! É preciso aprender a questioná-los! O que você pensa ao seu respeito e a respeito do mundo. Contestar o pensamento da escassez que foi estruturado dentro da gente. E aprender a confiar nesses recursos.  

Porque para colaborar, precisa estar em conexão consigo mesmo. Sem medo de perder. Entendendo e confiando que ao dividir recursos intangíveis eles irão se multiplicar.

Quem não tem segurança em si, quem tem medo de perder, tem dificuldade de abraçar o paradigma da abundância. Porque ajudar o outro genuinamente requer convicção em si mesmo, requer pessoas fortes emocionalmente que saibam de verdade seu valor e seu potencial.

Não bloqueie a colaboração

O medo de perder espaço e a falta de empatia consigo mesmo, com as próprias emoções bloqueia a colaboração. Quem não olha para as questões emocionais vai precisar se projetar para aparecer porque na real não confia de verdade na própria capacidade. Essa é a base da competição egóica e tóxica.

Colaboração está ligado a aceitação do outro, com tudo que vem no pacote, erros e acertos. E para aceitar o outro em sua profundidade é preciso primeiro aceitar a si. Sim! Você acertou! Estamos falando de vulnerabilidade. Quanto mais sinceros e honestos somos com as nossas emoções e sentimentos, mais a acessamos.  Esse bichinho terrível, que muitas vezes fazemos de tudo para esconder e acabamos por soterrar nossa espontaneidade e leveza.

Você pode saber mais sobre vulnerabilidade com essa palestra TED maravilhosa de uma das minhas musas inspiradoras, Brené Brown: assista aqui.

Voltando as organizações…

A colaboração é benéfica em todos os níveis de uma organização. Seja de dentro pra fora ou de fora pra dentro. Construir parcerias, inclusive entre marcas que possam ser consideradas concorrentes está se tornando uma prática cada vez mais utilizada para gerar inovação e crescimento.

Para enxergar alternativas, é preciso realizar o salto para diferentes perspectivas e interagir com a diversidade de visões, incentivando a colaboração entre todos os setores e com a comunidade em que atua. A inovação não é algo solitário, mas um encontro de pontos de vista que nasce da pluralidade de competências.

Por essa razão organizações inovadoras costumam ampliar e valorizar a diversidade. Criam espaço para diálogos onde ideias divergentes sejam apoiadas e valorizadas, construindo diálogos engrandecedores que alcançam soluções criativas. Questões complexas e complicadas não podem ser resolvidas com apenas um ponto de vista e maneiras de pensar.

A internet nos uniu pra sempre

Com a chegada dela, passamos de meros expectadores para colaboradores ativos uns com os outros interconectados com todo o planeta. Nos engajamos por causas, conteúdo e propósitos em comum.

Crowd significa multidão em inglês. Cooperar uns com os outros e unir esforços por um bem comum. Ações que utilizam este prefixo para produzir soluções estão se multiplicando exponencialmente. Uma delas é o crowdfunding – uma maneira fantástica de colocar projetos que impactam positivamente em prática através do financiamento coletivo. Você pode aprender mais sobre isso aqui no site da Benfeitoria.

Temos também o  crowdsourcing, que é um pouco parecido, mas com outro foco. Trata-se de uma reunião de pessoas/empresas em torno da solução de problemas complexos, que não teriam o mesmo impacto se fossem resolvidos de forma individual. Cada expertise e conhecimento são utilizados, em uma construção coletiva que já é usada por muitas empresas.  

Você certamente já ouviu falar da Wikipedia, que através da colaboração de pessoas do mundo inteiro criou o conceito de enciclopédia colaborativa. Um conteúdo aberto que qualquer pessoa pode modificar, desde que siga as regras.  Esse é um dos maiores exemplo de crowdsourcing. Mas não é o único.

Outro exemplo clássico é a plataforma Coursera, que em parceria com as mais renomadas universidades do mundo inteiro disponibilizam na rede aulas gratuitas. Você pode saber mais aqui.

Enfim, não existe outro caminho…

Quando pessoas sentem que aquilo que pensam será efetivamente levado em consideração e que podem confiar umas nas outras, se energizam.  Quando sabem que não haverá julgamento nem quebra de acordos, não se inibem em trazer à tona suas melhores ideias. Se motivam para buscar soluções para problemas e criar alternativas para questões pendentes.

Fala a verdade, quando você percebe que suas habilidades são valorizadas, independentemente de cor, opção sexual ou gênero, não sente uma motivação forte? É inevitável sentir-se energizado para fazer o que deve ser feito da melhor forma possível. A raiz da construção de uma cultura de colaboração é o fomento da  confiança uns nos outros.

O sociólogo Richard Sennet disse: “A cooperação tem o poder de unir pessoas que têm interesses diferentes ou conflitantes, que não sentem simpatia umas pelas outras, que são desiguais ou simplesmente não se compreendem mutuamente.”

Para que haja colaboração genuína, a relevância maior precisa ser clara e a identificação individual com os valores maiores precisa acontecer. Trabalhar pelo que se acredita é uma potência: é dela que nasce a sinergia necessária para novos projetos e a fluidez na profusão das melhores ideias, agregando o conjunto de pessoas alinhadas em uma mesma visão e sentido, ampliando a capacidade de ação em conjunto.

Busque o caminho da colaboração

Então resumindo: Confiar na capacidade de cada um, investigando e considerando propósitos individuais para aliar a propósitos maiores é um caminho certo para a colaboração. Todos ser humano é sábio e intuitivo e no fundo sabe quando é conduzido para além de apenas ganhos financeiros. Sabe quando a empresa constrói ambientes que nutrem e valorizam ideias e conhecimentos pessoais.

“Precisamos deixar de ser uma sociedade orientada pelo êxito, pelo vencer, pelo ganhar. Nosso novo paradigma precisa ser o cuidado. Saber cuidar, saber fazer transações de ganha/ganha e saber conversar. Não mais uma inteligência guerreira, mas sim uma inteligência altruísta.”

Bernardo Toro

Então, para estimular esse assunto tão importante, quero compartilhar com você algumas estratégias para construir uma cultura de colaboração ao seu entorno.

1) Promova diálogos e conversas significativas

Cada pessoa traz consigo uma bagagem de conhecimentos, experiências e histórias. Quando oportunizamos essa troca de experiências, através de fóruns de debate, cria-se conexão entre as pessoas, onde ideias, insights e soluções podem ser criadas. Ou mesmo os vínculos positivos se criam e fortalecem.  Empresas como Samsung, Shell, Dell e muitas outras já estão fazendo isso, através de seminários que estimulam essa troca em busca de criatividade e inovação.

2) Saiba valorizar as opiniões de quem segura o piano

Estimule a opinião e o pensamento crítico. Quem sabe mais sobre um fluxo ou processo, quem planeja ou quem coloca a mão na massa? Quando você escuta com sinceridade o que as pessoas têm a dizer, a mensagem nas entrelinhas é suas ideias são importantes e eu valorizo  e respeito o que você tem a dizer. Não há salário que supere o poder de engajamento que esta postura oferece. Evan Rosen em seu livro livro A cultura da colaboração, relata cases de  organizações altamente colaborativas, como a  Procter & Gamble, DreamWorks Animation, Toyota,  Boeing , Dow Chemical Company e a Mayo Clinic. Ele nos lembra que “todo mundo tem algo para contribuir na tomada de decisões e melhoria de processos, produtos e serviços.”

3) Saiba exatamente o que você quer – e comunique

Seja claro, saiba onde quer chegar com a sua equipe e quais propósitos e valores serão a base.  As pessoas precisam saber pelo que trabalham para verem o sentido e assim colocar em prática suas melhores habilidades em prol disso. Saiba que para estimular a colaboração será necessário entender melhor as aspirações de cada um e orquestrar isso de maneira a ligar objetivos pessoais com objetivos maiores. Um verdadeiro balé organizacional.

Quer levar a palestra sobre colaboração para a sua empresa ou conhecer mais sobre meu trabalho? Acesse aqui e vamos conversar!

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